O discurso de Jesus é similar ao que se encontra em Ez 34, que apresenta a imagem dos Pastores em Israel. Deus “se mostra indignado” com o tratamento dado às suas ovelhas, percebendo-as dispersas, sem cuidado. O mais importante, porém, é a promessa feita por Deus que se realiza em Jesus Cristo: “Assim diz o Senhor: Eu em pessoa buscarei minhas ovelhas seguindo seu rastro. Como pastor segue o rastro de seu rebanho quando as ovelhas se dispersam [...]” (Ez 34, 12).
As ovelhas que estavam ser pastor (cf Mc 6 14 – 29) encontraram segurança, alimento, proteção, cumprimento da promessa, em Jesus. Mas, podemos levantar questionamentos: O pastoreio de Jesus é continuado? A quem se designou esse ofício, após morte, ressurreição e ascensão do Senhor? Aqui se encontra a fundamentação para o que a Igreja chama de Ação Pastoral.
A continuidade da missão de Jesus se dá nos seus Apóstolos. O contexto que o Marcos apresenta é bastante interessante para tal compreensão. Em termos de números, os seguidores de Cristo cresciam consideravelmente e, em determinado momento, sentiu-se a necessidade material do pão: “Os discípulos foram dizer-lhe: o lugar é despovoado e a hora avançada; despede-os, para que vão aos campos e às aldeias dos arredores para comprar o que comer” (Mc 6, 35 – 36). A pronta resposta de Jesus revela os desígnios de Deus para a Igreja: “Dai-lhes vos mesmos de comer” (Mc 6, 37).
Podemos identificar aqui uma crescente compreensão: Deus, que fala ao povo prometendo que “Ele mesmo” cuidará das ovelhas, cumpre a sua Palavra, se encarna, vive no meio da humanidade, “as ovelhas” o reconhecem e, por isso, procuram Jesus insaciavelmente, e, Cristo, acompanhado dos seus arremata “Vós mesmos”.
A ação pastoral da Igreja, se pode dizer, em termos simples, mas acertados e profundos, é o cuidado de Deus com os homens, através da missão dessa mesma Igreja, através dos Apóstolos e, claro, de toda a Igreja. No prefácio dos Apóstolos, recitado na liturgia, reza-se: “Pastor eterno, não abandonais o rebanho, mas o guardais constantemente pela proteção dos Apóstolos. E assim a Igreja é conduzida pelos mesmos pastores que pusestes à sua frente como representantes de vosso Filho, Jesus Cristo, Senhor nosso”.
Como missão de toda a Igreja, o pastoreio de Cristo se dá através do testemunho de fé que os membros da mesma apresenta. A Gaudium et Spes diz que a Igreja comunica ao mundo a vida divina, mas também “irradia a sua luz, de certo modo, refletida no mundo inteiro, principalmente porque restabelece e eleva a dignidade da pessoa humana, fortalece a coesão da sociedade humana e reveste de sentido mais profundo e de significação a atividade cotidiana dos homens. Deste modo, através de cada um de seus membros e de toda a sua comunidade, a Igreja acredita poder ajudar muito a tornar mais humana a família dos homens e sua história” (GS, 323).
É o cuidado de Deus na humanidade. O povo continua sedento, e a fome do mundo é cada vez mais complexa e desafiadora: diz respeito ao pão material, mas, sobretudo, ao pão da dignidade, do AMOR. A Igreja é convocada a dar continuidade, pois, nela se encontra também o cumprimento da palavra de Jeremias “Dar-vos-ei Pastores segundo o meu coração” (Jr 3, 15).

















