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Verbum Domini

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"Exorto todos os fiéis a redescobrirem o encontro pessoal e comunitário com Cristo, Verbo da Vida que se tornou visível, a fazerem-se seus anunciadores para que o dom da vida divina, a comunhão, se dilate cada vez mais pelo mundo inteiro.
Com efeito, participar na vida de Deus, Trindade de Amor, é a alegria completa (cf. 1 Jo 1, 4).
  E é dom e dever imprescindível da Igreja comunicar a alegria que deriva do encontro com a Pessoa de Cristo, Palavra de Deus presente no meio de nós.

BENTO XVI, Verbum Domini
Sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja
(30 de setembro de 2010)

Para baixar a Exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini clique aqui!


Precisa-se de catequistas

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Todo início de ano pensamos e repensamos as turmas de Catequese em nossa Paróquia. Será que todos os catequistas ficarão? Será que novos catequistas virão? E as turmas que ficarem sem catequista, como vamos resolver?
Essa mensagem é bem familiar e assim como ela, esperamos que em todos os lugares tenhamos um final feliz, já que a Catequese deve ser  prioridade.



Um padre conversando com uma de suas fiéis dizia: minha filha, estamos precisando de catequistas em nossa comunidade! Você que ser catequista?
E ela responde a padre é que estou muito ocupada não tenho tempo, alias já estou atrasada até outro dia.

Chega um pai da comunidade e diz: Bom dia padre, quero inscrever meu filho na catequese, quando começa as inscrições ?
O Padre triste responde, infelizmente meu filho esse ano não teremos catequese em nossa comunidade, pois não encontro ninguém que queira ser catequista.

O Pai fica indignado, mas isso é um absurdo padre uma comunidade que não tem catequese para as crianças. O que o senhor pretende fazer?
Vou continuar procurando, aliás você quer ser catequista meu filho?
Ah padre não dá, eu sou um homem muito ocupado não tenho tempo, mas espero que o senhor encontre pessoas que aceitem ser catequista.

Passa um e passa outro pela igreja e ninguém aceita.
O padre olha triste para a cruz e diz: Senhor Jesus assim como o Senhor encontrou discípulos no meio do povo, me ajude a encontrar catequistas dentro dessa comunidade.

Até que chega mais uma mãe e o padre diz: Maria quanto tempo não te vejo!
Ah padre é que estou muito ocupada, trabalhando, estudando e agora sou mãe.
O padre mais uma vez diz: Quero lhe fazer um convite, aliás eu não Jesus, nossa comunidade esta precisando de catequistas. Você quer ser evangelizadora, pescadora de almas para Deus ?
Maria pensa um pouco e responde com um sorriso, quero sim padre, e eu conheço algumas pessoas que também estão dispostas a ser pescadores de almas para Deus.
O padre muito feliz responde então traga essas pessoas para que possamos apresentá-las a comunidade.

Então esses são os nossos catequistas, são homens e Mulheres que apesar de ter uma vida atarefada cheia de responsabilidade encontram tempo para catequizar vossos filhos. Para um dia eles também possa ser evangelizadores, pescadores de homens para Deus.

Mensagem encontrada no Blog Catequese Estiva.

A velhinha cega

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Aquela velhinha cega,

que encontrei na noite em que me perdi no meio do bosque,
me disse:
"Se não sabes seguir pela estrada, eu acompanho-te, já que a conheço bem;
se tu tiveres coragem de vir comigo, de vez em quando vou dizer uma palavra, até chegar bem lá no fundo, onde existe um cipreste até lá em cima
onde fica a cruz".
Então, respondi:
"Que seja... mas acho estranho ser guiado por alguém que não vê".
A cega, então, pegou minha mão e suspirou:
"Caminha".
Era a fé.

Esta bela mensagem está lá no  finalzinho do excelente livro 'Perdoar cura?' de Patrizia Cattaneo, Editora Cidade Nova.

O povo e os políticos

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No século XIX a Inglaterra era o país mais poderoso do mundo, e a rainha Vitória sua soberana. Mais uma vez tinha significado real a expressão: o sol não se põe sobre suas fronteiras. Certo dia, o ministro William Gladstone apresentou à rainha uma lei que acabara de ser aprovada pelo Parlamento, da qual a soberana não gostou. “Isto não assino. Eu sou a rainha”, disse ela irritada. “Eu sou o povo, assine”, retrucou o ministro secamente. E a rainha Vitória assinou, admitindo: “tens razão, Gladstone, o povo é mais poderoso do que eu”. 

O PODER, ao longo da história, foi exercido de diversas maneiras. Os ditadores não se interrogavam sobre a legitimidade de seu poder absoluto. Já os reis, quase sempre, invocavam um poder divino, que passava de pai para filho. Outras modalidades de poder: aristocracia, o governo dos nobres, comitê de salvação pública, em momentos de emergência, triunviratos... 

A ELEIÇÃO tornou-se o instrumento para a escolha de quem deve exercer o poder em nome do povo. Mas a eleição, em si, não é suficiente para caracterizar a democracia. São três as principais instâncias do poder: o executivo, o legislativo e o judiciário. Cabe ao poder legislativo fazer leis, ao executivo fazer acontecer as leis e ao judiciário decidir as competências diante das controvérsias. Existe ainda o chamado Quarto Poder, constituído da imprensa livre. É um poder desarmado, mas que se torna consciência e porta-voz do povo. 

O INDIVIDUO é anterior ao Estado surgiu como tentativa dos cidadãos de socializar determinadas tarefas. O cidadão abre mão de parte de sua liberdade para o estado, que deve possibilitar segurança, ordem e bem estar geral. Isso significa que o Estado não tem poder absoluto. Acima do rei, do presidente, dos senadores, dos deputados, dos prefeitos existe o povo. É ele que legitima ou desautoriza qualquer governo e autoridade. 

OS GOVERNANTES têm obrigação de legislar e exercer o poder em favor do bem comum. Isso parece ter sido esquecido no Brasil, onde a imprensa, a cada dia, revela ninhos de corrupção. São personalidades dos três poderes que manipulam a lei em benefício próprio e de seus protegidos. E se justificam: eu sou autoridade. Eu sou o povo, devemos proclamar, como argumento final. E o povo é mais poderoso do que eles. 

O EVANGELHO aponta outra dimensão do poder, a partir do próprio Cristo, que garantiu: “Não vim para ser servido, mas para servir” (Mt 20,5). O outro, que o Evangelho chama de irmão, tem direitos e esses direitos devem ser respeitados. Temos direitos e deveres e a Ética estabelece o limite de cada um. 
Dom Itamar Vian

+ Dom Itamar Vian
Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Feira de Santana
di.vianfs@ig.com.br






Atleta irá para o Seminário após as Olimpíadas!

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Um atleta da delegação olímpica espanhola decidiu consagrar a sua vida a Deus e vai entrar para o seminário assim que terminar sua participação nos Jogos de Londres. De acordo com a Catholic New Agency, Carlos Ballve, jogador de hóquei em campo, participa pela primeira vez das Olimpíadas e espera aproveitar esta “experiência incrível e preciosa” para “ganhar” mas também “para crescer na vivência da fé e na partilha de Deus com pessoas vindas de todas as partes do mundo”.
O final da prova olímpica vai marcar o início da sua caminhada para o sacerdócio, num seminário na Bélgica, depois de um período de discernimento iniciado em 2005. No Verão desse ano, a sua vida mudou radicalmente, enquanto estava num campeonato do mundo na categoria de sub-21.A sua equipe “começou muito mal” a competição e Carlos decidiu “assumir um compromisso com Deus”.
O jovem disse a Deus que “se ajudasse a equipe a melhorar a sua prestação” ele iria até Medjugore (pequena região da Bósnia Herzegovina onde alegadamente ocorreram aparições de Nossa Senhora) em peregrinação com o pai.A sua seleção “fez história”, conquistou uma inédita “medalha de bronze” e o atleta cumpriu a sua promessa.
No entanto, apesar do reforço que aquele episódio trouxe à sua fé, “alguma coisa dentro de si dizia-lhe” que faltava algo mais à sua vida, “era livre mas não era feliz”. E foi assim que, mesmo no auge da sua carreira, Carlos Ballve decidiu parar e partir em busca de Deus.
A organização dos Jogos de Londres, que se concluem a 12 de agosto, reservou espaços inter-religiosos de oração e silêncio para os 16 mil atletas de mais de 200 países, incluindo Portugal. O centro interconfessional da aldeia olímpica inclui mais de 50 clérigos cristãos, judeus, muçulmanos, budistas e hinduístas, entre outros, para "oferecer apoio, cuidado pastoral e ajuda espiritual”, bem como vários momentos de celebração e encontros de grupo, refere o site do evento.
Momento de Espiritualidade
No pátio da igreja Católica de São Francisco de Assis, perto da Vila Olímpica, em Londres, alguns voluntários da Finlândia, membros da organização evangélica “Youth with a mission”, fazem perguntas aos frades sobre a vocação católica. O espírito das Olimpíadas é também este, um novo diálogo entre as religiões cristãs e a vontade de alcançar juntos quem se afastou de Cristo. Nesta paróquia, frequentada por mais de mil pessoas todos os domingos, o grupo de jovens vindos da Finlândia, colabora com os frades vindos de Portugal, Argentina, Singapura, Ilhas Maurício, França, Colômbia e também da comunidade de Palestrina, perto de Roma.
Saem juntos pelas ruas ao redor da Vila Olímpica, os jovens vestindo uma camiseta com a frase “More than gold” (mais do que ouro), a organização ecumênica que organizou as atividades de evangelização em todo o Reino Unido, e os frades com sua veste marrom.
“Não fazemos proselitismo, impondo o cristianismo”, explica Alice Lamula, voluntária finlandesa, que está na capital inglesa junto com seu marido, “procuramos fazer perceber aos presentes que os amamos e que nosso afeto vem de Jesus”. Depois os convidamos para as celebrações ou a tomar alguma coisa no espaço aberto pela paróquia, organizado para receber os visitantes que chegam a Stratford para ver as competições.
“No metrô as pessoas ficam curiosas ao ver nossa roupa e fazem perguntas. Isto é também uma maneira de testemunhar Cristo”, explica padre Anthony Cho. “Por ocasião da cerimônia de abertura dos jogos organizamos uma festa: as pessoas de várias comunidades trouxeram comida e fizemos torcida uns pelos times dos outros, olhando as Olimpíadas num telão”. Para Padre Cho, os Jogos Olímpicos são uma ótima oportunidade para melhorar as relações dentro dessa comunidade multicultural em que os paroquianos vivem, com origens em diferentes países do mundo: Europa do Leste, Malásia, Singapura, Caribe.
“Até o dia 10 de agosto, ficará exposto o Santíssimo Sacramento das 9h da manhã até às 18h, locais, e haverá quatro noites dedicadas às orações de Taizé. No último dia das Olimpíadas, 12 de agosto, o bispo de Brentwood, dom Thomas McMahon, celebrará a missa de ação de graças”, diz o padre Anthony Cho.

Fonte: CNBB

Cristo nos chama de amigos

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Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos.  Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.  Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.   Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi e vos designei, para dardes fruto e para que o vosso fruto permaneça. Assim, tudo o que pedirdes ao Pai, em meu nome, ele vos dará.    O que eu vos mando é que vos ameis uns aos outros. (Jo 15,12-17)

Antes de continuar a leitura desta página sugiro que pare e faça uma breve oração pedindo o auxílio do Espírito Santo: “Ó vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis, acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado e renovareis a face da terra”. Oremos: “Ó Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre de sua consolação. Por Cristo Senhor nosso. Amém”.
Como você deve saber a Igreja recomenda a leitura e meditação das Sagradas Escrituras através do método da Lectio Divina que consiste em quatro passos: leitura, meditação, oração e contemplação.

Vamos então tomar hoje, o evangelho de São João capítulo 15, versículo 12 a 17.
Após a última ceia, o apóstolo narra a despedida de Jesus, com vários ensinamentos essenciais aos seus discípulos. Jesus havia lavado os pés deles e declarado solenemente: “Compreendeis o que vos fiz? Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, pois eu o sou. Se, portanto, eu, o Mestre e o Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns aos outros”. (Jo 13,13-14).

E no texto que lemos hoje ele diz: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai” (Jo 15,15). Depois de ter reafirmado que era o Mestre e o Senhor, Jesus renuncia esses títulos e posições e se iguala a nós, nos chamando de amigo. Que grande lição de humildade. Que diferença encontramos ao vermos a maioria das pessoas ávidas pelo poder e status.

E você, já o ouviu chamando de amigo? Medite sobre isso. Releia a passagem colocando-se pessoalmente como destinatário destas palavras de Jesus. Nós somos, de fato, amigos. E amigos escolhidos de Jesus. Ele que escolhera cada um dos discípulos, também nos escolhe (cf. Jo 15,16). E mostra por que somos amigos: Porque revelou tudo o que ouviu do Pai. Todo o amor que o Pai tem, por nos ter dado seu Filho único, Jesus.

São Lucas guardou uma passagem que mostra este tratamento de Jesus com seus discípulos: “Meus amigos, eu vos digo: Não tenhais medo...” (cf. Lc 12,4).

Outro evangelista narra o amor que Jesus tinha para com uma família de Betânia. “Ora, Jesus amava Marta, e sua irmã e Lázaro” (Jo 11,5). E quando se refere a ele, Jesus diz: “Nosso amigo Lázaro dorme, mas vou despertá-lo.” (Jo 11,11). Os discípulos até pensam no sono do corpo, mas Jesus esclarece: Lázaro morreu. E parte para trazê-lo de volta à vida.
Nem mesmo na traição de Judas, Jesus retira sua amizade. São impressionantes as palavras do Senhor para com o Iscariotes conservadas por Mateus naquela ocasião: “Amigo para que estás aqui?” ou ainda em outras traduções: “Amigo, faze logo o que tens que fazer” (Mt 26,52). Já o salmista profetizava: “Até o meu amigo, em quem eu confiava e que comia do meu pão, é o primeiro a me trair” (Sl 41,10). Judas rejeita o amigo, preferindo o entregar nas mãos dos chefes dos sacerdotes. Não, porém, o Senhor. Até aonde pôde levar o dom da liberdade de Judas, recusando tão grande amigo...

Oração
Vamos rezar. É importante que após a leitura e meditação da Palavra de Deus, façamos uma oração. No Antigo Testamento há uma passagem bem conhecida sobre o valor de um amigo: “Quem encontra um amigo encontra um tesouro” (Eclo 6,14). Que maior tesouro poderíamos ter além de Jesus? Você pode iniciar assim: “Obrigado, meu Deus, por me teres dado Jesus. Obrigado pelo seu grande amor por mim a ponto de morrer para me salvar. Obrigado por que ele me escolheu e nunca me rejeita, mesmo quando sou infiel”. Ou dirigindo sua oração a Jesus: “Obrigado Senhor me chamares de teu amigo. Obrigado pela tua escolha, e por nunca me abandonares nem mesmo nas minhas infidelidades (..)”. Continue sua oração conforme o Espírito o conduzir.
O próximo passo da Lectio é a contemplação. Deixe que o Espírito Santo lhe mostre outras faces deste mistério de amizade. Pare e escute-O. Contemple esse grande amor de Jesus que vem a você lhe chamando de amigo. “Amigo! Meu Amigo! Meu grande amigo!... “
Por fim, para que nada se perca, anote tudo o que o Senhor fez em sua alma. Se tiver oportunidade, partilhe e testemunhe, escrevendo para nós. 
 
José Ricardo - Revista Shalom Maná - Ed. Shalom 

O matrimônio

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“Este mistério é grande, eu digo em relação a Cristo e à Igreja” (Ef 5,32)

Quando consideramos o sacramento do Matrimônio, tocamos numa realidade em que o natural e o sobrenatural se entrelaçam de forma maravilhosa.  A partir do momento em que acreditamos que Deus  se encarnou, cremos que Ele veio nos revelar onde estava de fato a presença divina. Ora, o Verbo divino veio morar no meio de nós, escolhendo viver dentro de uma família. Não escolheu nenhum templo, nenhum objeto, enfim, nada que as religiões e crenças estavam acostumadas a sacralizar como lugar do divino. Simplesmente, viveu no seio de uma pequena família, dentro de uma simples casa. Sem incensos, sem parâmetros, sem ritos, a não ser o que se faz dentro de um lar.

Esse mesmo Jesus, ao começar a pregação do Evangelho, fez questão de transformar uma festa de casamento, em Caná, no símbolo mais belo da sua missão: unir para sempre, como num matrimônio, o humano com o divino, onde a água, que simboliza o humano, é transformada em vinho, que simboliza o divino. E a sua pregação surpreende, ao revelar que Deus é Trindade de amor, como se fosse também uma família, onde há paternidade, maternidade e filiação. De fato, sua mãe Maria  foi habitada pelo Espírito Santo de amor e Eles se diz Filho de Deus Pai desde toda a eternidade. Com isso, a sua família humana tornou-se sinal sacramental da sua família divina. Eis a maravilhosa sacramentalidade da família humana. Por isso, a família não é o resultado cultural da história, mas é invenção de Deus, brota da própria natureza trinitária de Deus.

No rito do Matrimônio não há outros símbolos e gestos, como óleo, água, pão e vinho, imposição das mãos etc., senão os próprios noivos. São eles que presidem a celebração, e todas as outras pessoas, inclusive o ministro, são apenas testemunhas. No momento em que se acolhem mutuamente, como esposo e esposa, tornam-se sinais sacramentais da união e do amor entre Deus e a humanidade, que se concretizou na união entre Cristo e a Igreja, Povo de Deus.

Eis a grandeza do sacramento do Matrimônio, que é considerado um evangelho, isto é, uma revelação do Divino, eis porque a família cristã é verdadeiramente uma Igreja  doméstica, ou seja, uma comunidade sacramental que manifesta e atualiza a presença de Deus neste mundo.
É como se a família de Nazaré, Jesus,  Maria e José, encontrasse em cada casal, que consagra sua união, uma continuidade no tempo e no espaço.

Pe. Ulysses da Silva, C. SS. R.
Revista de Aparecida. Ano 11, nº 124, Jul.2012.

O Sacramento da Unção dos Enfermos

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Conheci há algum tempo o site do D. Henrique Soares da Costa, Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju. Ele diz o seguinte em sua descrição:
“Quando iniciei este site era sacerdote da Igreja Arquidiocesana de Maceió. Por isso, mesmo eleito Bispo, não mudei o seu nome: ‘padrehenrique.com’...
Pensei este espaço na Rede como um meio de partilhar com outros, irmãos na fé e demais pessoas de boa vontade, um pouco de minha experiência de vida e das coisas que pensei e aprendi ao longo do meu ministério sacerdotal. Penso que a internet pode ser um excelente instrumento de aproximação sadia entre as pessoas, de troca de experiências e idéias, bem como um meio oportuno e eficaz da evangelização.
Ao lado de tantos sites católicos de excelente qualidade, coloco à sua disposição mais este, como uma modesta partilha de irmão. É um site pensado primeiramente para o(a)s católico(a)s; mas aqui, todos e todas são bem-vindo(a)s!”

Compartilho com vocês agora, uma reflexão sobre o sacramento da UNÇÃO DOS ENFERMOS. Sacramento tão belo, mas ainda incógnito para muitos, inclusive catequistas.


Apreciem:
Vamos (...) refletir sobre a Unção dos Enfermos, antigamente chamada de Extrema Unção. Trata-se de um sacramento tão desconhecido, mas de um sentido belíssimo.
Comecemos com uma afirmação do Concílio Vaticano II, citado pelo Catecismo da Igreja Católica: “Com a sagrada unção dos enfermos e a oração dos presbíteros, toda a Igreja recomenda os doentes ao Senhor sofredor e glorificado, para que ele os alivie e salve, e exorta-os a unirem-se livremente à paixão e morte de Cristo, e a contribuírem assim para o bem do Povo de Deus” (Lumen Gentium 11; Catecismo, 1499). Aprofundemos o significados dessas palavras. A doença faz parte da vida, mas é sempre uma experiência dolorosa: ela nos enfraquece, baixa nosso moral e nos revela sempre de novo nossa impotência, nossos limites e a fragilidade de nossa vida. Em certo sentido, toda doença nos coloca diante da possibilidade e da realidade da morte. E há tantos modos de enfrentar a doença: pode-se vivê-la com amargura, com revolta, com espírito derrotista ou, pode-se vivê-la como uma ocasião de amadurecimento, de reflexão sobre a vida e, para um cristão, a doença pode aparecer como um modo de participar da paixão do Senhor em benefício de toda a Igreja e da humanidade.
Aqui entra o Sacramento da Unção: o óleo é símbolo da graça do Espírito Santo, Espírito de força e de consolação (ele é o Paráclito, Consolador). Este Espírito é o Espírito do Cristo morto e ressuscitado. Pois bem, ele dá ao enfermo a força e a graça de fazer de sua doença um modo de participar da paixão do Senhor. Assim, a Unção dos Enfermos é um sacramento que nos une à Páscoa do Senhor, como já dizia São Paulo: “Agora eu me regozijo nos meus sofrimentos por vós, e completo na minha carne, o que falta das tribulações de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,24). “Cristo será engrandecido no meu corpo, pela vida ou pela morte. Pois para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1,20s). “Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 19b-20a). Desse modo, a doença é vivida pelo paciente com um sentido positivo, pascal, salvífico: um modo privilegiado de participar da paixão e cruz do Senhor, para com ele chegar à glória da ressurreição. Triste na vida não é sofrer, mas sofrer sem ver um sentido nesse sofrimento. O Sacramento da Unção dá um sentido cristológico, um sentido positivo à doença e à dor. A debilidade humana é, assim, transfigurada em Cristo, assumindo um aspecto de força na fraqueza e dando ao enfermo a tranqüila serenidade de quem sabe que seu calvário terminará na ressurreição. Ainda mais: o sacramento une o fiel sofredor à Igreja, já que ele completa em seu corpo o que faltou das tribulações de Cristo em benefício do seu corpo, que é a Igreja (cf. Cl 1,24).
Mas, vejamos de modo mais detalhado alguns aspectos e elementos desse Sacramento.

Quais os fundamentos bíblicos desse sacramento?
No Antigo Testamento, a doença aparece como ocasião para que o homem experimente sua pobreza e, derramando suas lágrimas diante do Deus da vida, obtenha ajuda e socorro. Assim, a doença torna-se caminho de conversão e o perdão de Deus pode dá início à cura (cf. Sl 6,3; Is 38; Sl 32,5; 107,20). Sem querer dizer que a doença é conseqüência direta e automática do pecado, a Escritura deixa claro que existe uma ligação entre o modo como enfrentamos a realidade negativa da doença e o mundo de pecado no qual vivemos. O sofrimento é visto, às vezes, como meio de redimir os pecados nossos e dos outros. É o caso dos sofrimentos do Servo sofredor: “Pelas suas feridas, fomos curados” (Is 53,5).
No Novo Testamento, Cristo Jesus apresenta-se como aquele que vem inaugurar o Reino dos céus: reino de vida e felicidade, de alegria e de paz. Por isso ele não somente cura, mas também perdoa os pecados, a maior de todas as doenças! (cf. Mc 2,5-12). Ainda mais: ele, na sua misericórdia, se identifica com os doentes: “Eu estava doente e me visitastes” (Mt 25,36). Aos doentes, Jesus pedia que cressem e, às vezes, os curava, com o sinal de que o Reino dos céus havia chegado. Os doentes chegavam mesmo a tocar nele, pois nele repousava o Espírito Santo, como força que a todos curava (cf. Lc 6,19).
Ora, Jesus não somente curou os enfermos como sinal da chegada do Reino de Deus, como também ordenou que seus discípulos fizessem o mesmo (cf. Mc 6,12s; 16,17s). Além desse mandato geral do Senhor, há aqueles que, na Igreja, recebem um especial carisma para realizar curas em nome do Senhor Jesus (cf. 1Cor 12,9.28.30). No entanto, o Senhor é sempre livre para conceder ou não a crua. Às vezes, nem a oração mais insistente, pode obter a cura. Pense-se no caso de São Paulo, que depois de pedir e pedir, recebe do Senhor, como resposta que basta ao Apóstolo a sua graça, pois na fraqueza manifesta-se a força de Deus (cf. 2Cor 19,2). Então, que fique claro: ninguém tem o direito de “forçar” Deus a realizar um milagre. Deus é soberano também aí! E tristes de nós se nossa fé e confiança nele dependerem de milagres....
Pois bem, a Igreja procura cumprir a ordem de curar os doentes (cf. Mt 10,8), dada por Cristo, seja cuidando dos enfermos, seja intercedendo por eles na oração, pois crê na presença vivificante de Cristo, médico do corpo e da alma. Ele está presente sobretudo nos sacramentos e, de modo especial, na Eucaristia, que serve de remédio até para o nosso corpo (cf. 1Cor 11,30). Mas a Igreja, desde os tempos doa Apóstolos conhecia também um rito próprio em favor dos enfermos, tal como nos diz a Epístola de São Tiago: “Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que orem por ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o porá de pé; esse tiver cometido pecados, estes serão perdoados” (Tg 5,14-15). A Tradição eclesial, desde os primeiros tempos, reconheceu neste rito um dos sete sacramentos, tendo sua raiz na ordem do próprio Cristo de ungir e curar os doentes (cf. Mc 6,12s; Mt 10,8).

O que a Igreja ensina sobre a Unção dos Enfermos?
A Igreja crê e professa que existe, entre os sete sacramentos, um sacramento destinado de modo especial a confortar aqueles que sofrem provados pela doença, a Unção dos enfermos. O efeito deste sacramento é conferir o dom do Espírito Santo, simbolizado pelo óleo e a imposição das mãos. Aí o Espírito é dado como conforto, paz e coragem para que o enfermo possa suportar de ânimo sereno a sua doença e fragilidade, unindo-se ao Cristo no mistério de sua paixão, completando, assim, na sua carne, o que faltou à paixão do seu Senhor. Portanto, o sacramento da Unção ajuda a viver no momento da dor o próprio sacramento do Batismo, quando fomos unidos a Cristo na sua morte e ressurreição, bem como a prolongar na nossa existência o sacrifício do Cristo Jesus que comungamos no seu Corpo que partimos e no seu Sangue que repartimos! O fiel que sofre já não se desespera nem se amargura, pois sabe que está unido ao seu Senhor, sofrendo com Cristo para com Cristo reinar!
Assim, a Unção traz a cura do coração, isto é, da alma e, segundo a vontade de Deus, também do corpo: é o sacramento da saúde da alma e do corpo! Além do mais, é de grande consolo e ajuda, o fato de o enfermo experimentar a oração de toda a Igreja que por ele reza e a ele se une na sua enfermidade, intercedendo pela sua cura e libertação.

Quem deve receber este Sacramento?
Devem receber a Unção primeiramente aqueles fiéis católicos que se encontram num estado de doença grave e até mesmo em perigo de morte. Também aqueles que já se encontram num estado de certo perigo de morte devido à idade avançada. Neste caso, a sagrada unção os ajuda a viver a fragilidade da idade e os achaques da velhice com paciência, coragem e generosidade, participando dos sofrimentos do Cristo. Finalmente, aqueles fiéis que devam submeter-se a uma intervenção cirúrgica séria ou que traga risco de vida.
Este sacramento pode ser repetido na mesma pessoa, tantas vezes quantas sejam necessárias.
É importante observar que não se pode administrar o sacramento a uma pessoa que já esteja morta. Os sacramentos somente podem ser administrados aos vivos! Em caso de morte naquele momento, e se persistir a dúvida se a pessoa morreu ou se ainda está viva, deve-se, então, administrá-lo!

Quem é o ministro da unção?
Ministros deste Sacramento são os que receberam o sacerdócio ministerial, ou seja, o Bispo e os presbíteros (os padres). O primeiro responsável pela administração deste Sacramento é o pároco, que deve ter o cuidado de atender àqueles que o solicitam e até mesmo conscientizar os fiéis de sua paróquia para a necessidade de recebê-lo. Na impossibilidade de o pároco administrá-lo por algum motivo, pode-se e deve-se chamar um outro padre.
É também muito recomendável que alguns leigos da comunidade estejam presentes, pois é toda a Igreja que reza pelo enfermo.

Como se celebra a Unção?
Quer num hospital, na igreja ou em casa, a celebração da Unção é sempre um ato litúrgico e, portanto, comunitário. O ideal seria celebrar o Sacramento dentro da Celebração eucarística e depois de ter confessado o enfermo. Não sendo possível, celebra-se somente a Unção e, sempre que possível, dá-se a comunhão ao doente.
Quanto ao rito, a celebração começa com um ato penitencial, como na Missa, depois, uma liturgia da Palavra. A parte mais importante da celebração consta da imposição das mãos sobre o doente, suplicando a graça do Espírito e a unção com o óleo dos enfermos na fronte e na palma das mãos do enfermo. Este óleo é abençoado pelo Bispo na Missa do Crisma, na Quinta-feira Santa. Se o óleo não estiver abençoado, o padre pode abençoá-lo no momento da celebração do Sacramento. Após a unção, reza-se pelo enfermo e conclui-se com o Pai-Nosso.
O sacerdote deve administrar este sacramento como administra os outros: de túnica e estola branca ou de batina, sobrepeliz e estola. Se não é possível, que não use uma estola por cima da veste civil ou do clergyman – seria um abuso.

E o viático?
A palavra “viático” vem do latim “viator” (viajante). É a comunhão dada ao enfermo que se acha em grave perigo de morte. O ideal seria dar esta comunhão na Missa celebrada junto ao doente. No ato penitencial concede-se ao enfermo a absolvição de todos os seus pecados com uma indulgência plenária e, no momento da comunhão, o celebrante diz: “O Corpo de Cristo te guarde para a vida eterna”. O sentido é belíssimo: o Cristo faz-se alimento para aquele que viaja para a Casa do Pai, faz-se viático, alimento de viagem. Unidos a ele na Eucaristia, sabemos que seremos conduzidos à Vida Eterna.
Então, não se deve confundir o viático com a comunhão que os ministros extraordinários levam aos doentes. Quando o padre administra a Unção a um doente grave, é aconselhável que lhe dê a comunhão na forma de viático.
A Igreja ensina que todo fiel católico tem o direito e o dever de, antes da morte, comungar no Corpo do Senhor. Pena que isso ande meio esquecido!
Assim concluímos nossa apresentação da Unção dos Enfermos.

Pe. Henrique Soares da Costa

A oração simples e sincera, chega ao coração de Deus

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Dona Nazaré é uma mulher de muita fibra. Muito pobre. Vive sozinha nesse mundo ao lado de sua filha. Uma menina moça que nasceu com sérios problemas sanguíneos.
Desde pequena a menina sempre viveu doente. Poucas foram as noites que dona Nazaré não passou acordada boa parte do tempo tentando aliviar a dor da sua pequena.
Além das muitas dores que sentia em todo o corpo, a menina tinha uma fraqueza tão acentuada que a impediam de fazer até mesmo os serviços mais simples. Por ter que cuidar da filha e sendo sozinha no mundo, dona Nazaré vivia de uma pensão de meio salário mínimo, conseguida a duras penas, graças a ajuda de um vereador da região.
O dinheiro mal dava pra comer quanto mais para comprar os remédios cada dia mais necessários e mais caros.
A menina vivia a base de remédio caseiro e do cuidado primoroso da bondosa mãe.
Infelizmente com o passar do tempo o problema da menina foi piorando. Naquela manhã, depois de uma noite inteirinha ao lado da filha, dona Nazaré não teve outra saída senão ir até Itajubá, a cidade mais próxima, para ver se conseguia alguma ajuda.
Como não conseguiu dinheiro pra levar a filha que estava fraca demais, tentou ajuda junto aos estudantes de medicina que fazem estagio no hospital universitário. Infelizmente o hospital não dispõe de condições pra fazer o atendimento domiciliar, ainda mais que a paciente estava a 18 km de distância. Dona Nazaré não desistiu. Mãe não desiste. Foi até a Santa Casa. Quem sabe ali encontraria um médico que pudesse ir até a sua casa pra tentar curar a sua filha. Também lá não conseguiu nada, a não ser a promessa de que se trouxesse a menina, tentariam dar um jeito de interná-la. Mas infelizmente não teriam como deslocar-se até o interior.
Ela ficou pensando.
Pra ir até Delfim Moreira pedir a ambulância da prefeitura é uma viagem fora de mão. Quase impossível.
O jeito era trazer a menina pra Santa Casa de misericórdia de Itajubá. Nasceu no coração daquela mãe aflita um raio de esperança, quem sabe conseguiria alguém que ajudasse a trazer a menina. Decidiu voltar pra casa e pedir ajuda aos vizinhos, pensou especialmente no japonês, um plantador de arroz que tinha um jipe e de vez em quando as presenteava com meio saco de arroz recém colhido. Quando voltava ao mercado municipal, que tomaria um ônibus ou pegaria uma carona, dona Nazaré passou em frente a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Soledade. Como boa mineira, entrou para rezar um pouco. Dentro da Igreja tinha um grupo de animados jovens: rezavam, cantavam, era um grupo carismático. Por alguns instantes dona Nazaré acabou se esquecendo de sua filha doente. A música daqueles jovens era bonita demais. E dona Nazaré foi se misturando ao animado grupo. Depois de algumas suaves canções os jovens começaram a rezar. Cada hora era um que fazia uma oração espontânea. Lindas e profundas orações. Dona Nazaré se sentindo motivada e talvez até contagiada pela fé daqueles jovens, quase da idade da sua filha, também se dispôs a fazer uma oração. Claro que os jovens ficaram felizes. E acolheram com muito carinho a sua disposição. Mas, quando a mulher começou a oração, alguns dos meninos tiveram que se segurar muito para não cair na gargalhada. Que oração mais estranha aquela mulher estava fazendo. Ela falava com Jesus como se Ele fosse um entregador de pizzas, pensou um dos meninos.
Quem será que Ela pensa que é Jesus pra falar desse jeito com Ele? – questionava intimamente uma das coordenadoras do grupo.
A mulher começava a rezar com devoção. A oração dela:
- Senhor Jesus, olha sou eu, a Nazaré. Não sei se o Senhor se lembra. Sou lá do Biguá. Muitas vezes já conversei com o Senhor na Igreja de São Benedito, lembra?
Pois é Senhor Jesus, o problema da minha menina ta cada vez pior. Essa noite ela não pregou os olhos nem um minuto, nem eu. A pobre da coitadinha gemeu a noite toda. Virava pr’um lado e pro outro. Suava feito uma condenada. Não sei como ela está lá agora. Vim aqui pra ver se achava um médico, pra ir em casa consultar ela. Mas os médicos não podem ir. Se fosse o doutor Gaspar eu sei que ele iria, que Deus o tenha. Lá na Santa Casa, mandaram eu trazer a menina. Como eu vou conseguir fazer isso? Ela ta fraca demais.
Não temos dinheiro pra alugar uma ambulância, até pensei em pedir ajuda pro senhor Toshio, aquele bondoso plantador de arroz, quem sabe ele traz a menina. Mas agora eu to aqui Senhor, eu queria pedir. Já que o Senhor está em todo lugar o Senhor bem que podia ir até lá em casa curar a minha filha. Não custa nada. O senhor sabe e pode.
Os jovens estavam estragando aquela oração. Dois rapazes dos mais novos não conseguiram segurar o riso e chegaram a sair da Igreja. “Onde já se viu uma pessoa rezar desse jeito?” “Até é falta de respeito falar assim com Jesus!” “Ela nem louvou o Senhor!” “Não recitou nenhum versículo da Sagrada Escritura!” “Ela não sabe rezar!” “Com certeza nunca fez uma experiência de oração.” “Sua oração estava atrapalhando o grupo.” “O grupo tava indo tão bem.” – concluiu um dos rapazes que tinha saído.
Dona Nazaré continuou rezando.
- É verdade. O senhor num instantinho podia ir lá em casa curar a menina e já voltava. Não é difícil chegar na nossa casa não. O Senhor pega a rodovia que vai pra Aparecida do Norte, lá eu sei que o Senhor conhece bem, na ponte de Santo Antonio o Senhor entra rumo Delfi Moreira, só que na hora que chegar na água limpa, bem em frente a fábrica de queijo, o Senhor vira pra esquerda, passa a ponte e continua… Depois da ponte não vira pra direita não. Lá vai para o mosteiro de Serra Clara. Minha casa fica para o outro lado. Então o Senhor passa a ponte e segue reto. Em frente sobe um morrinho bem pesado e já vai virando pra direita. Logo o Senhor já chega lá na estação onde antigamente a gente pegava o trem. Não é lá não. Lá tem uma placa com o nome Biguá mas o Biguá é mais pra cima. O Senhor passa a morada do pessoal dos ramos, depois vem a reta do Zé Gaspar, chega na curva da Cridia, ali não vira pro lado da ponte não, passa meio reto pra lado esquerdo, sobe o morrinho do grupo escolar, o Senhor vai passar em frente a casa onde o baiano morava. Depois vem a casa que era do Venazão. Ali tem até um atalho mas é melhor o Senhor ir pela estrada mesmo. Logo depois da curva o Senhor já vai ver a Igreja de São Benedito, ali é fácil. É só o Senhor perguntar na bar do Lourenço que ele sabe onde fica a minha casa, ele vende queijo, é o vereador que arrumou o fundo rural pra nós, é só o Senhor pedir pra ele que até é capaz dele levar o Senhor lá em casa, eu moro pertinho.
A essa altura os jovens já estavam se esforçando para não cair na gargalhada. Era uma experiência inédita além de longa aquilo, segundo eles, não era oração.
Mas dona Nazaré continuou:
- A hora que o Senhor chegar lá em casa a portas vai tá trancada, não tem problema, a chave ta no vaso de flor que fica pendurado no alpendre. O senhor pode entrar, cura a minha filha e depois, por favor, tranca de novo a porta, que eu me preocupo muito com a menina.
Depois que o senhor curar ela, é só fechar a porta, colocar a chave no mesmo vaso que a hora que eu chegar eu acho e entro.
O jovem que tocava o violão começou a tocar uma musica e cantar bem alto, dona Nazaré parou de rezar, saiu da Igreja até meio triste, nem deu tempo pra ela dizer pro nosso Senhor que tinha café no bule em cima do fogão de lenha, caso Ele quisesse tomar um golinho. E no forninho tinha bolão de fubá. Paciência. Ater que o jovem cantava bonito. – Só foi meio grosseiro interrompendo a minha oração. – Com o pensamento continuou rezando. Desceu a escadaria da matriz, atravessou a ponte que antigamente era muito mais bonita quando tinha os dois arcos, e foi na direção do mercado. Quem sabe um filho de Deus não lhe daria uma carona! Graças a Deus conseguiu a carona num caminhão de Sento Silva. Um pouco mais de meia hora lá estava ela de volta, sem remédio, e com a esperança de pedir ao Senhor Toshio que levasse a menina pra Santa Casa. Qual não foi a sua surpresa ao abrir a porta de sua casinha e encontrou a menina sentada, comendo um delicioso prato de arroz doce, a sua filha querida.
A menina deu um pulo de alegria e veio correndo abraçar a mãe. Dona Nazaré ficou estupefata. Já tinha até se esquecido da sua reza na Igreja.
- Minha filha, você de pé? Que cara mais boa. Como é que isso aconteceu?
E a menina começou a explicar:
- Olha mamãe, eu estava deitada, como a senhora me deixou, rezei meu terço da misericórdia junto com a Eliana Sá, escutando a rádio Canção Nova. E acabei cochilando ouvindo o Diácono Nelsinho Correia cantar Quem Me Segurou Foi Deus. De repente, eu escutei um barulho na porta, como estava quase dormindo achei que fosse a senhora, que já tinha voltado. Nossa mamãe, quase eu morri! Não era a senhora. Era um homem muito bonito, grande, risonho. Ele usava uma roupa diferente, tinha um cabelo enorme. Me olhou como nunca ninguém me olhou na vida. Ele foi chegando perto de mim e eu fui perdendo o medo. Comecei a sentir um negócio que parecia um choque elétrico, meu sangue parece que fervia. Ele não falou nada. Foi chegando em silêncio, devagarinho. Com um baita sorriso nos lábios. Chegou perto da minha cama, me estendeu a mão, pensei que fosse um médico. Tentei perguntar pela senhora mas as palavras não saiam. Eu falava mas não escutava nada. Eu acho que tava muda, surda, não sei. Só sei que Ele me segurou firme pela mão, foi me levantando vagarosamente, me colocou de pé, e me deu um grande abraço.
Com os olhos cheios de lágrimas, dona Nazaré foi repetindo quase que inconscientemente os gestos como a menina ia descrevendo. E ela, com os olhos molhados de lágrimas continuou:
- Depois de me abraçar demoradamente Ele foi saindo bem devagarinho, deu um gostoso beijo na minha testa e foi se afastando, quando estava quase perto da porta Ele fez um sinal de tchau e falou: – Diga pra sua mãe que Eu vou deixar a chave no vaso de flor. Ele ainda completou. – Gostei muito da flor. É a primeira vez que eu vejo lágrimas de Cristo em vaso. Adorei a idéia.
Claro, nenhuma das duas conseguiu achar palavras para manifestar a sua gratidão a Jesus, a única coisa que fizeram, foi buscar aquele vaso de lágrimas de Cristo, colocá-lo sobre a mesa, perto do rádio, beijá-lo com um carinho quase sacramental e olhando o pequeno crucifixo na parede fizeram chegar até o céu uma linda oração de louvor:
- Muito obrigado Senhor, viu, o Senhor achou direitinho. Eu não falei que era fácil? Brigada mesmo. Eu tinha certeza que podia contar com o Senhor.

Pe Leo
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